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	<title>Schwarzgerät</title>
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		<title>corrida sem fim</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jul 2009 01:27:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Também vi — ontem, exatamente — o road movie &#8220;Corrida sem fim&#8221; (Two-lane blacktop, 1971), do Monte Hellman. O filme tem uma força meio inexplicável, que resiste a tentativas de resumi-la em poucas, ou até muitas palavras. Mas o que posso dizer é que o que mais me pegou foi o modo como o Hellman [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=schwarzgerat.wordpress.com&blog=2780011&post=58&subd=schwarzgerat&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Também vi — ontem, exatamente — o road movie &#8220;Corrida sem fim&#8221; (Two-lane blacktop, 1971), do Monte Hellman. O filme tem uma força meio inexplicável, que resiste a tentativas de resumi-la em poucas, ou até muitas palavras. Mas o que posso dizer é que o que mais me pegou foi o modo como o Hellman fez o que provavelmente é o mais emblemático filme do gênero fugindo dos códigos mais típicos e mesmo de qualquer estrutura convencional — não há desenvolvimento de personagens (na verdade há, mas não no sentido que normalmente se dá à expressão), a trama mínima é abandonada a partir de certo ponto, as elipses muitas vezes quebram o mais básico quadro de causa/efeito, deixando ações inconclusas e simplesmente pulando para a frente, e por aí vai. Com esse processo de desmontar e arrancar tudo que não seja absolutamente essencial o que acaba saindo é menos um filme e mais a própria materialização em celulóide de tudo o que estradas que atravessam de uma costa a outra um país de dimensões continentais como os EUA podem evocar; o que permanece são as lanchonetes e paradas de motoristas, a busca cujo objetivo só vai ser descoberto quando e se for alcançado, as estradas intermináveis e desertas, as planícies vastas, o horizonte que parece infinitamente distante.</p>
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		<title>samuel fuller</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Jul 2009 00:38:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Andei explorando a filmografia do Samuel Fuller de uns tempos pra cá; logo o mais famoso eu ainda não vi, &#8220;Agonia e glória&#8221;. Mas já assisti a boa parte das coisas encontráveis, embora isso seja apenas cerca de metade do que ele fez (nove filmes, dos vinte e dois que ele realizou, e isso sem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=schwarzgerat.wordpress.com&blog=2780011&post=51&subd=schwarzgerat&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Andei explorando a filmografia do Samuel Fuller de uns tempos pra cá; logo o mais famoso eu ainda não vi, &#8220;Agonia e glória&#8221;. Mas já assisti a boa parte das coisas encontráveis, embora isso seja apenas cerca de metade do que ele fez (nove filmes, dos vinte e dois que ele realizou, e isso sem contar dois feitos para TV). Mas já é suficiente para admirar demais o sujeito, tanto pelo talento no manejo da câmera (ver &#8220;Cão branco&#8221; e &#8220;Casa de bambu&#8221; para bela demonstração dessa característica; na verdade em todos o Fuller leva a coisa com desenvoltura notável, mas nesses dois é mais escancarado), quanto, e talvez seja o que mais impressiona no diretor, a coragem para encarar certos temas de frente e tratá-los em tela sem a menor firula. Isso é sua marca e acabou se tornando também sua ruína: depois de &#8220;Cão branco&#8221;, que nem chegou a ser lançado nos cinemas devido ao medo da Paramount de causar muita controvérsia (e sobreviveu sendo exibido vez ou outra nas TVs mundo afora até o ano passado, quando foi lançado em DVD pela Criterion), não realizou mais nenhuma obra nos Estados Unidos; entre essa data e sua morte, em 1997, só conseguiu dirigir mais três filmes, um deles para TV, e um episódio de seriado; as quatro produções foram na França.</p>
<p>1. Cão branco (White dog, 1982)<br />
2. O beijo amargo (The naked kiss, 1964)<br />
3. Matei Jesse James (I shot Jesse James, 1949)<br />
4. Casa de bambu (House of bamboo, 1955)<br />
5. Quarenta rifles (Forty guns, 1957)<br />
6. Capacete de aço (The steel helmet, 1951)<br />
7. Paixões que alucinam (Shock corridor, 1963)<br />
8. Baionetas caladas (Fixed bayonets!, 1951)<br />
9. Anjo do mal (Pickup on South Street, 1953)</p>
<p>Pequeno top com o que vi. A ordem não é lá tão importante. Dá pra dividir a coisa em dois blocos: os três primeiros, que são meus preferidos mesmo com alguma distância; e os demais. Dentro dos blocos a ordem é mais ou menos aleatória. A exceção é &#8220;Anjo do mal&#8221;, o único que considero só mediano, mesmo que seja um exercício até interessante, então fica em último de qualquer forma.</p>
<p>Post-que-não-diz-nada-mesmo-fingindo-dizer, mas enfim.</p>
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		<title>a pesquisa</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 17:26:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[a pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[juan josé saer]]></category>
		<category><![CDATA[la pesquisa]]></category>

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		<description><![CDATA[O romance policial sempre foi caro à literatura hispano-americana, exercendo sobre escritores um fascínio que lembra o que os cineastas franceses da nouvelle vague sentiam pelo cinema B norte-americano da época; vários autores se debruçaram sobre ele, com intenções que variavam da homenagem pura e simples ao estudo dos elementos, arquétipos e códigos típicos do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=schwarzgerat.wordpress.com&blog=2780011&post=24&subd=schwarzgerat&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O romance policial sempre foi caro à literatura hispano-americana, exercendo sobre escritores um fascínio que lembra o que os cineastas franceses da nouvelle vague sentiam pelo cinema B norte-americano da época; vários autores se debruçaram sobre ele, com intenções que variavam da homenagem pura e simples ao estudo dos elementos, arquétipos e códigos típicos do gênero, passando pela desconstrução e reconstrução dele dentro do mundo ficcional de imaginário pessoal de cada um.</p>
<p>Uma interessante brincadeira desse tipo é &#8220;A pesquisa&#8221; (La pesquisa, 1994), de Juan José Saer, livro tão bom que poderia se bastar apenas como exercício de gênero, mas vai além disso: partindo de um modelo geralmente fechado para a interpretação como é a ficção policial — há um crime, uma investigação e uma solução que faz, ou quer fazer, a obra se fechar em si mesma; dúvidas, fios soltos e afins são considerados defeitos —, Saer reafirma a pessoalidade/subjetividade inerente a qualquer leitura, assim como a impossibilidade de um elemento narrativo ter valor único e imutável: o que parece ou intenta apontar apenas um caminho pode se desdobrar em milhares deles. Aliás, manobra semelhante (em objetivo, não em execução) à que Borges fez através de Herbert Quain, cujo livro policial &#8220;The god of the labyrinth&#8221; tinha duas soluções: uma, incorreta, dada pelo detetive da história, e outra, verdadeira, descoberta pelo leitor ao topar com a curiosa e intrigante frase que encerra a obra; já Saer é radical: certo e errado são conceitos que não fazem sentido algum dentro de &#8220;A pesquisa&#8221;.</p>
<p>Esse reprocessamento do romance policial que tanto subverte sua estrutura quanto a enriquece no contexto da obra, porém, é apenas um dos aspectos do livro, que se lança por vários níveis e funciona em todos. Assim, quando há momentos num boteco, noite, calor absurdo, com uma tempestade se aproximando, você está ali com os personagens, sua, sente o ar na pele, e aquele cheiro que prenuncia chuva, nas frases longas, por vezes longuíssimas, que teimam em terminar e que são tão características de Saer. Ou ainda o aparecimento do livro (infelizmente fictício) &#8220;Nas tendas gregas&#8221;, reconto da guerra de Troia, escrito por um autor desconhecido, que fala sobre a verdade da vivência e a verdade histórica (que se confunde, segundo o autor, com a verdade da ficção), que os personagens discutem entre si e que dialoga com a trama policial central, sobre um competente comissário à beira do desespero por não conseguir capturar um assassino serial que já fez quase trinta vítimas, trama à qual temos acesso apenas indiretamente. Ou, acima de tudo o mais, o instante inigualável — melhor dizendo, igualável apenas pelo próprio Saer — de quebra narrativa, que é como um machado descendo sobre um tampo de vidro, genial na administração das expectativas e da atenção do leitor, e uma grande sacanagem, ao mesmo tempo.</p>
<p>Demonstração de maestria: a tempestade se aproxima cada vez mais, mas as primeiras gotas da chuva são relegadas para um tempo além da última página; porém o livro permanece bem vivo na memória.</p>
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		<title>começando</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 17:25:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>

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		<description><![CDATA[A princípio, a finalidade desse espaço é abrigar textos sobre literatura, indo de Thomas Pynchon a Stephen King, bastando, para que um livro apareça aqui, que eu o haja, claro, lido, e tenha algo interessante ou não (geralmente não) para falar a respeito dele, ou apenas sinta a necessidade de escrever algumas linhas mais ou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=schwarzgerat.wordpress.com&blog=2780011&post=19&subd=schwarzgerat&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A princípio, a finalidade desse espaço é abrigar textos sobre literatura, indo de Thomas Pynchon a Stephen King, bastando, para que um livro apareça aqui, que eu o haja, claro, lido, e tenha algo interessante ou não (geralmente não) para falar a respeito dele, ou apenas sinta a necessidade de escrever algumas linhas mais ou menos aleatórias: às vezes a gente precisa disso até mesmo para descobrir o que realmente pensa sobre um livro (ou filme, ou música, ou—). Nada de resenhas ou grandes análises ou o escambau; talvez o nome mais apropriado sejam histórias de leituras, se não parecer tosco ou piegas demais. E, como muitas vezes não dá para se falar o que quer sem soltar um ou outro detalhe do enredo, é provável que alguns textos tenham uns poucos spoilers moderados; mas vou tentar mantê-los no patamar mínimo necessário, e também nunca chegar a soltar um realmente cabeludo (ao menos sem avisar). Quando/se a base de textos estiver grande o suficiente, quem sabe — pouco provável — até surja um índice.</p>
<p>Eventualmente, posts aqui e ali sobre o que me der na telha, relacionado ou não ao tema principal do blog. E sendo esta a terceira vez que me disponho a levá-lo para frente (a primeira foi privilegiando o cinema; a segunda já tendia para o enfoque literário, e nenhuma durou mais que dois ou três posts), a possibilidade de um dia eu simplesmente surtar e apagar tudo, ou no mínimo abandonar isso aqui, também existe.</p>
<p>Mas bom, vamos lá.</p>
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