corrida sem fim

2009 Julho 6

Também vi — ontem, exatamente — o road movie “Corrida sem fim” (Two-lane blacktop, 1971), do Monte Hellman. O filme tem uma força meio inexplicável, que resiste a tentativas de resumi-la em poucas, ou até muitas palavras. Mas o que posso dizer é que o que mais me pegou foi o modo como o Hellman fez o que provavelmente é o mais emblemático filme do gênero fugindo dos códigos mais típicos e mesmo de qualquer estrutura convencional — não há desenvolvimento de personagens (na verdade há, mas não no sentido que normalmente se dá à expressão), a trama mínima é abandonada a partir de certo ponto, as elipses muitas vezes quebram o mais básico quadro de causa/efeito, deixando ações inconclusas e simplesmente pulando para a frente, e por aí vai. Com esse processo de desmontar e arrancar tudo que não seja absolutamente essencial o que acaba saindo é menos um filme e mais a própria materialização em celulóide de tudo o que estradas que atravessam de uma costa a outra um país de dimensões continentais como os EUA podem evocar; o que permanece são as lanchonetes e paradas de motoristas, a busca cujo objetivo só vai ser descoberto quando e se for alcançado, as estradas intermináveis e desertas, as planícies vastas, o horizonte que parece infinitamente distante.

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